Lançamento da Indian no Brasil tem para-brisa e malas laterais rígidas facilmente removíveis. Equipado com motor V2 de 1.811 cc, modelo 2017 custa a partir de R$ 91.990 e vem brigar com a H-D Road King

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A norte-americana Indian Motorcycle comemora um ano no mercado brasileiro com o lançamento de um novo modelo: a Springfield. Equipada com o motor V2 de 1.811 cc, a moto combina o visual clássico da marca com malas laterais rígidas e um grande para-brisa que deixam claro sua vocação para longas viagens. O preço parte de R$ 91.990.

O estilo marcante com grandes para-lamas envolventes, banco de couro e uma infinidade de peças cromadas garante o porte imponente característico da linha Chief. Visualmente, a Springfield se assemelha à Vintage, mas tem malas rígidas no lugar de bolsas laterais de couro. Para isso, o chassi foi reforçado e a moto ganhou uma nova suspensão traseira, com ajuste pneumático. Mudanças para carregar o peso extra que também permitem a instalação de um top-case (vendido como acessório).

Essas características fazem da Springfield um meio-termo entre as cruiser (Chief Classic e Chief Vintage) e as grandalhonas touring da marca (Chieftain e Roadmaster). Mas a grande sacada do novo modelo é a facilidade de transformá-la de uma linha para a outra. O para-brisa e as malas laterais são fáceis de remover e para serem reinstalados. Não é preciso nenhuma ferramenta e a “transformação” leva questão de segundos.

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Mais “ágil”

O motor é o mesmo das outras “pesos-pesados” da Indian: dois cilindros em “V”, 1.811 cm³ de capacidade, com acionamento de válvulas por varetas e arrefecimento a ar. Brilhantemente cromado e com o câmbio de seis marchas no mesmo bloco, o V2 não prima pela sua potência – que não passa de 100 cv -, mas por oferecer bastante torque desde os baixos giros.

A alimentação e o acelerador eletrônico foram aprimorados para 2017 e o desempenho é consistente. A Springfield oferece a aceleração típica de um V2 com um prazeroso ronco no escapamento duplo e pouquíssima vibração. Embora a primeiro contato tenha sido na pista, nota-se que o motor gira pouco e roda bem relaxado: em sexta marcha, a 120 km/h o conta-giros analógico sobre o tanque não marca nem 3.000 giros. O painel ainda traz velocímetro digital, um pequeno computador de bordo e uma novidade: sistema de monitoramento da pressão dos pneus.

Além de reforçado, o chassi de alumínio forjado teve sua geometria alterada. Na Springfield, o ângulo de cáster foi reduzido de 29° para 25°, a mesma inclinação da Chieftain. Mas o trail de 132 mm é o menor entre todas.

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Com menor inclinação no garfo dianteiro, pode-se dizer que a nova Indian é uma das mais “ágeis” de todo o line-up da marca – claro que levando em consideração que se trata de uma moto de 376 kg. Entra com mais facilidade nas curvas e contornou cones em um slalom com muito mais desenvoltura do que os outros modelos. No lançamento da Springfield, a marca disponibilizou a Vintage e a Roadmaster para comparamos.

A Springfield parece ser ainda mais ágil ao retirar o para-brisa que, em uma pista, não faz tanta falta assim. Porém, ajuda e muito em viagens mais longas. Pedaleiras plataformas para piloto e garupa (estas com ajuste de altura) e um generoso banco completam os itens de conforto para pegar a estrada. As malas laterais não comportam um capacete, mas tem espaço suficiente para uma mala pequena e conta com uma tomada 12 V para carregar eletrônicos.

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Mercado

Após mais de 50 anos inativa, a Indian Motorcycle foi comprada pela Polaris, que relançou a marca em 2013 apostando em sua história, iniciada em 1901. O renascimento da Indian baseou-se no grande V2 de 1811 cc e na cruiser Chief. Desde então o line-up cresceu para os modelos mais touring, Vintage, Chieftain e Roadmaster. Cada uma delas com uma adversária certa no line-up da outra centenária marca americana.

Mas ainda não havia uma rival para a conhecida Harley-Davidson Road King. A Springfield vem preencher essa lacuna com seu para-brisa alto, malas rígidas e a vocação estradeira.

Cotada a R$ 91.990 (R$ 94.990 para a versão bicolor), o modelo desembarca no Brasil e encara sua principal rival renovada. Para 2017, a concorrente ganhou um novo motor com maior capacidade, que promete melhor desempenho e menos vibração. Para esquentar a disputa, a Harley-Davidson anunciou uma redução no preço da Road King, que passou de R$ 80.300 para R$ 75.400 nesta nova versão. Uma briga de pesos-pesados centenários.

TEXTO: Arthur Caldeira / Agência INFOMOTO
FOTOS: Divulgação